sábado, 23 de agosto de 2008

Num pingo de tempo

A cada momento, a incompatibilidade aumenta.
O tempo não se encaixa às pessoas e as pessoas não se encaixam no tempo.
Emaranham-se dedos e fios de cabelo,
E a minha força simplesmente não aguenta.

Maldita fúria que pesa como lixo,
Maldita máfia de maritacas roucas que rodeiam a tua cabeça.
Antes se esconder numa caixa de papelão,
A sangrar os olhos, a sangrar a tua mão.

As ilusões se esqueceram, e a vida chegou!
Essa é a hora de revirar e remexer o buraco que cavaste.
Arregassa as mangas e mergulha na terra, tira tudo de lá.
Desafoga a alegria de criança, desenterra o teu corpo e corre.

Vai! Corre daqui, busca o pingo de chuva que não caiu.
Encontra o pedaço de dente que não sorriu.
Desfaz a bagunça das maritacas.
E me leva com você, antes que tempo rode e o pingo de chuva caia na terra.

Me leva, antes que se enterre a esperança.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Metal


Aglomerado de átomos.
Uns livres, outros não.
Eletropositivo,
Resiste à tração
E se transforma em fios...
Fios de pautas musicais sonoras.
De continuação de notas e de sons.
Fios que invadem minha cabeça e dançam dentro de mim.
Resisto.
Resisto à dor de ouvir uma realeza de pura elegância.
Resisto à morte do silêncio.